Análise de DNA encerra mistério de 4 mil anos no Egito

Usando avançados novos métodos analíticos para o sequenciamento de DNA, pesquisadores argumentaram de forma praticamente conclusiva que as famosas múmias "Dois Irmãos", hoje localizadas no Museu de Manchester, Reino Unido, possuem diferentes pais, e são, na verdade, meio-irmãos.

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Os Dois Irmãos são duas das múmias mais antigas e os mais bem conhecidos restos humanos da Egiptologia. De acordo com as evidências encontradas junto aos sarcófagos – localidade, inscrições e objetos valiosos – elas representam as múmias de dois homens da elite, Khnum-nakht e Nakht, datando de cerca de 1800 a.C., durante a 12° Dinastia.

Foram descobertas por trabalhadores egípcios orientados pelos arqueólogos Flinders Petrie e Ernest Mackay, no início do século 20, em um local depois conhecido como ‘A Tumba dos Dois Irmãos’, em Rifeh, uma vila a 250 milhas ao Sul do Cairo. Os sarcófagos, para feliz surpresa, estavam intactos.

Nos hieróglifos inscritos nos sarcófagos havia a indicação que ambos os homens eram filhos de um governador local – sem nome, apenas por um título genérico – e que uma ‘dama da casa’, Khnum-Aa, era mãe de ambos.

Além disso, as duas múmias foram enterradas juntas, uma adjacente à outra, reforçando a relação de irmãos. Nesse sentido, ambas acabaram recebendo o nome de “Dois Irmãos”.

Porém, desde a descoberta dessas múmias em 1907, existe um debate entre os especialistas se os dois homens mumificados eram próximos ou não, em termos de parentesco. Assim, em 2015, foi realizada uma extração de DNA dos seus dentes foi realizada para dar uma resposta definitiva à dúvida.

Esse debate foi iniciado em 1908, quando uma especialista na área, Dra. Margaret Murray, junto com o seu time de pesquisa, concluiu que a morfologia dos esqueletos eram bem diferentes, sugerindo que eles não possuíam laços familiares. Nesse sentido, baseado também em outros elementos tragos pelos hieroglíficos anteriormente examinados, foi proposto que um dos irmãos talvez pudesse ter sido adotado. Corroborando essa proposta, análises na década de 1970 sobre tecidos residuais de pele e morfologia do crânio indicaram significativas diferenças na pigmentação (cor da pele) e na estrutura óssea craniana.

Bem, agora, após análises nos últimos 2 anos do DNA mitocondrial e frações do cromossomo Y das amostras coletadas em 2015, os pesquisadores mostraram que ambos, Nakt-Ankh e Khnum-Nakht pertenciam ao halotipo MIa1, sugerindo fortemente uma relação materna. Já o sequenciamento do cromossomo sexual masculino mostrou traços significativamente distintos, indicando que ambos tinham pais diferentes e que, portanto, eram muito provavelmente meio-irmãos.

Em conjunto, os resultados também sugerem que Khnum-Aa possuía um alto status social e provavelmente uma poderosa família, onde alianças matrimoniais deviam ter sido comuns como um meio de reforçar laços sociais entre a elite e a sub-elite, e onde também direitos individuais eram determinados pela classe social ao invés do gênero (homem ou mulher).

O exaustivo estudo, publicado no Journal of Archaeological Science, é o primeiro a utilizar com sucesso partes mínimas de DNA mitocondrial e do cromossomo Y para a análise de múmias do Egito.

Para os pesquisadores envolvidos no estudo, os resultados são conclusivos. O novo método pode ajudar bastante nos estudos arqueológicos que lidam com amostras genéticas muito antigas. Além disso, o novo estudo forneceu informações importantes sobre as relações familiares e de poder no Egito Antigo.

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