Arqueólogos descobrem palácio escondido marcado com símbolos de Ramsés, o Grande

Uma equipe de arqueólogos de Nova York descobriu um antigo palácio egípcio no local de um Templo Real, anunciou o Ministério das Antiguidades do Egito.

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Arqueólogos descobriram evidências de uma estrutura a sudoeste de um templo dedicado a Ramsés II na antiga cidade de Abydos, no Egito.
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A estrutura fica ao lado do Templo de Ramsés II, em Abydos, uma importante cidade que também abriga os túmulos de vários reis da antiguidade.

Os arqueólogos descobriram evidências da estrutura durante as escavações do templo e da área circundante. O pesquisador Sameh Iskander, da missão da Universidade de Nova York, disse que a equipe encontrou uma passagem de pedra na entrada sudoeste do templo. Isso os levou à entrada de outro prédio adornado com um “cartucho egípcio” – uma marcação hieroglífica que denota a realeza – de Ramsés II.

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Os pesquisadores também escavaram os pilares do templo, que foram decorados com símbolos reais semelhantes. Essas gravuras, e a própria estrutura recém-descoberta, contribuirão para a compreensão dos arqueólogos sobre os templos desse período, informou o Ministério. Mustafa Waziri, que lidera o Conselho Supremo de Antiguidades do Egito, disse que as evidências vão mudar a planta baixa do templo pela primeira vez em aproximadamente 160 anos.

O professor Joann Fletcher, da Universidade de York, disse à Newsweek que a descoberta não é sem precedentes. O templo funerário de Luxor do rei Ramsés III também é acompanhado por um palácio real, explicou o egiptólogo, que não esteve envolvido na pesquisa.

As ruínas da antiga cidade de Abydos encontram-se a cerca de 480 quilômetros ao sul do Cairo, no baixo deserto a oeste do Nilo. O local é o lar de uma necrópole real onde os faraós das primeiras dinastias – como Qaa da primeira dinastia e Peribsen da segunda – teriam sido sepultados, segundo relatórios da University College London (UCL).

Abydos era o lar de vários templos dedicados a figuras como o deus Osíris e o faraó Seti I. Durante o Império do Egito (aproximadamente 2025 a.C. à 1700 a.C.) a cidade se tornou o principal centro de adoração para o culto de Osíris. Segundo a UCL, os fiéis montaram numerosas pequenas capelas na cidade, que também abrigavam um grande cemitério.

“A nova descoberta certamente enfatizará a maneira como Ramsés II, assim como seu pai Seti, viu Abydos como a origem do poder real”, disse Fletcher. Os antecessores do monarca, enterrados cerca de dois mil anos antes, ainda estavam sendo venerados no local, explicou ela. “O fato de que Ramsés II exigiu um palácio em Abydos também revela que ele não pediu apenas um novo templo no local, mas estava passando tempo suficiente lá para justificar tal acomodação”, disse ela.

A descoberta “começa a equilibrar o papel de Abydos como puramente um cemitério e local do templo”, acrescentou. “Ter um prédio em que as pessoas vivam suas vidas é sempre algo fascinante de se encontrar.”

Símbolos hieroglíficos especiais (cartuchos egípcios) que denotam o nome de Ramsés II em um templo no antigo local de Abydos.

Ramsés II, também conhecido como Ramsés, o Grande e Ozymandias em grego, governou de 1279 a.C. até 1213 a.C.. Considerado um dos governantes mais importantes do antigo Egito, ele liderou várias campanhas militares de sucesso para garantir o território em partes do Levante. Ele construiu grandes templos como o complexo Ramesseum e deixou cartuchos em numerosos monumentos existentes.

O Egito tem se empenhado em compartilhar notícias de descobertas arqueológicas recentes, em um esforço para atrair visitantes de volta ao país, após a Revolução Egípcia de 2011 e a agitação política subseqüente.

Anúncios recentes incluíram a descoberta dos restos antigos de uma adolescente, um número de sarcófagos ricamente decorados e uma necrópole com cerca de 800 túmulos perto de Lisht, ao sul do Cairo.