Peabiru: a antiga trilha indígena que ligava o litoral do Brasil até o Peru

Já imaginou fazer uma trilha até Machu Picchu partindo do Brasil? Há algumas centenas de anos, os indígenas faziam esse caminho, e essa história, ainda que um pouco enigmática, é sobre uma das mais fascinantes trilhas da América do Sul, o chamado Caminho do Peabiru, que unia o litoral de São Paulo até Cusco, no Peru.

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De fato, essa trilha existiu e o que não faltam são relatos históricos e grandes personagens que, inclusive, conseguiram cruzá-la, em plena época das explorações do século 16.

Os primeiros relatos sobre o Caminho do Peabiru ainda causam dúvidas entre os pesquisadores. Há quem diga que a designação do nome veio pelo relato de um jesuíta Pedro Lozano que escreveu o livro História da Conquista do Paraguai, Rio da Prata e Tucumán no século 18, mas muitos outros afirmam que o nome já era usado em São Vicente, em SP, logo nos primeiros anos de descobrimento do Brasil.

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O Caminho do Peabiru começou a se tornar de interesse dos europeus pelo ano de 1514, quando uma expedição portuguesa, buscando descobrir até onde o novo continente recém descoberto ia, acabou encontrando a foz de um imenso rio. Ali, alguns indígenas (originais Charruas) fizeram o primeiro contato com os brancos e disseram que no alto desse rio, muito distante, havia uma civilização riquíssima e repleta de ouro e prata (certamente, se referindo aos Incas e seu poderoso império).

Logo os europeus iniciaram as primeiras incursões por esse imenso rio, que ganhou o nome de Rio de La Plata, até hoje chamado assim.

A notícia chegou a Europa e os espanhóis, vendo que a região do Rio de La Plata pertencia, na verdade, ao território deles pelo Tratado de Tordesilhas, trataram de enviar uma expedição repleta de interesseiros em explorar o tão misterioso Rio de La Plata e, finalmente, chegar até essa civilização rica no alto do continente.

Nessa nova expedição, agora de origem espanhola, comandada por Juan de Solis, finalmente, os navios chegam em território uruguaio (que naquela época ainda não tinha nome oficial).

O capitão desce da embarcação, é atacado pelos indígenas e devorado ali mesmo, em frente aos seus homens. Com esse episódio, os navios resolvem retornar sem capitão, subindo novamente pelo continente e uma das embarcações naufraga em Santa Catarina, deixando mortos e feridos, entre esses últimos, Aleixo Garcia, que passaria a viver entre os índios Carijós, que não eram canibais.

Os Carijós contavam exatamente a mesma história de que no alto do continente, havia uma uma civilização avançada, riquíssima em ouro e prata e que haviam trilhas ligando o litoral do Atlântico até os povoados Incas, no Peru.

Era o que Aleixo Garcia precisava para iniciar a sua expedição pela maior das trilhas da América do Sul: o Caminho do Peabiru!

A Expedição

Depois de alguns anos reconhecendo a região, Aleixo Garcia e outros sobreviventes espanhóis que estavam vivendo com os índios, decidem partir para uma das mais alucinantes expedições por terra que o homem branco viria a fazer pelo novo continente.

Estima-se que mais de 2000 índios carijós seguiram juntos na empreitada, com armas e alimentos por um caminho de terra e grama batida, que partia do litoral catarinense e se encontrava com outros grandes ramais no oeste de Paraná. Esses dois ramais da trilha iniciavam em Cananéia e São Paulo.

A expidição seguiu pela mata, foram meses de caminhada, até onde hoje é a cidade Assunção, capital do Paraguai.

De lá, foi necessário remar em pequenos barcos, continente adentro até uma enorme montanha de prata, no qual se acredita ser a cidade de Potosí.

Ali houveram batalhas, os exploradores e índios brasileiros contra os Incas. Grandes quantias de ouro e prata foram saqueadas e inicia-se o retorno pela trilha até o Brasil.

No meio do caminho de volta, o exército de Aleixo encontra os ferozes índios Payagás, que matam o espanhol e muitos outros que o acompanhavam.

No entanto, após a tragédia, alguns índios carijós, finalmente, chegam de volta ao seu território, trazendo as provas em ouro e prata, garantindo que a trilha do Peabiru foi concluída e passando a informação para os exploradores seguintes que chegariam ao território brasileiro.

Ainda hoje existem alguns trechos dessa imensa trilha que são fontes de estudos arqueológicos e históricos.